Scan to know paper details and author's profile

Table of contents

1.

grupo baseado na sua identidade construída sobre suas categorias de apropriação de um espaço de sociabilidade e produção com base em uma identidade étnica. "E neste sentido tudo se amplia: o diálogo não é apenas com o jurídico, mas abrange a sociedade e várias áreas de conhecimento, discursos, atores e interesses, por vezes antagônicos. (LEITE, 2000: 67).

Além do importante papel dos movimentos sociais e das entidades não-governamentais, a luta pela titulação territorial em favor de grupos quilombolas vem contando com o decisivo apoio da Associação Brasileira de Antropologia e das Universidades Federais do País, na realização de estudos sobre a temática e de pesquisas para a produção de laudos periciais destinados a instruir processos administrativos e jurídicos, com vistas a fundamentar decisões dos órgãos competentes no processo de titulação da terra. (Bezerra, 2006:95) O relatório teve por objetivo a definição do território da Comunidade de Remanescentes de Quilombo de Santana, localizada no município de Salgueiro -PE, como parte das ações do Programa de Desenvolvimento dos Territórios Quilombolas -PBA item 17, no âmbito das ações do Projeto de Integração do Rio São Francisco às Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional. Neste sentido, vale o esforço pelo entendimento da categoria quilombo com um conceito contemporâneo.

Evitando uma definição limitadora, como bem lembra o antropólogo Alfredo Wagner de Almeida, ao citar: O quilombo, enquanto categoria definidora, permanece incrustado na memória coletiva da Nação -seja dos operadores jurídicos, seja de determinadas representações do senso comum -como o isolado negro, tendo como paradigma o quilombo do Palmares. Deve-se relativizar a definição presente em nossos dispositivos jurídicos e sociais que, desde o tempo da Colônia, definem o quilombo como "toda habitação de negros fugidos, que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que não tenham ranchos levantados e nem se achem pilões nele", assim como fora formulado em carta em resposta ao rei de Portugal em virtude de consulta feita ao Conselho Ultramarino em 1740. Um conceito, como bem chamou a atenção Almeida (2002), que permaneceu frigorificado no imaginário dos operadores do direito e das leituras pretensamente cientificas. Pois este dispositivo tendeu a compreender o quilombo como algo que estava fora, isolado, para além da civilização e da cultura, confinado numa suposta autossuficiência (Bezerra, 2006:95).

No caso do Subprograma de Regulamentação Fundiária dos Territórios Quilombolas, foi peça fundamental a elaboração de um Relatório Antropológico enquanto componente que irá subsidiar o "Relatório Técnico de Identificação e Delimitação -RTID", do INCRA.

De maneira geral, dos Relatórios Antropológicos referentes aos territórios quilombolas contemplados no PBA item 17, são esperados que estes contribuam para a construção de um documento que observe os critérios de auto atribuição, que permita caracterizar a trajetória histórica própria, as relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida pelos grupos que estão sendo objeto da questão.

Neste sentido vale a observação de Dalmo Dalari que cita: Ao invés de trabalhar com classificações étnicas operadas genericamente pela sociedade regional, o antropólogo deve explorar as incongruências internas aí verificadas, percebendo que elas constituem parte de um campo de luta em que estão envolvidos todos esses atores. Partindo dessa análise é que poderá vir a descrever o conjunto de símbolos e práticas sociais (primordialmente os preconceitos, estigmas e censuras) pelas quais os diferentes atores não-índios, de modo acumulativo mas também concorrencial, barreiras sociais que demarcam negativamente àquele grupo." (Dalari, 1994:

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Como aporte metodológico, para realizarmos a perícia antropológica que foi traduzida através de um Relatório Antropológico, estamos considerando toda uma extensa relação que tínhamos com a comunidade quilombola de Santana desde que a equipe de meio ambiente (GEAPA) foi implantada em Salgueiro (Setembro de 2008). Foram contatos com lideranças e com a comunidade em diversas reuniões para tratar de esclarecimentos sobre a transposição, sobre as obras de apoio estrutural, sobre o Relatório Antropológico e sobre identidade étnica negra e quilombola. Este último tema foi tratado em fevereiro de 2009 com a comunidade em forma de oficina pedagógica. O retorno à Santana dentro de um calendário com objetivos e metas predeterminadas foi facilitado pela, já sabida, presença da equipe para executar diversas atividades na área: desde plotar os limites do território, entrevistar os mais velhos, os líderes, os jovens, as mulheres, fotografar (e muito) os momentos sociais e o cotidiano da comunidade. Sobre esta última prática vale considerar que: "A construção de narrativas através da imagem fotográfica vem, a ser articulada com o texto verbal e a legitimidade que este alcançou, contribuir no sentido de enriquecer e agregar, além de outras formas narrativas como e literatura ou a poesia, complexidade aos esforços de interpretação de universos sociais cada vez mais densos e complexos, onde imagens por sua vez tornam-se cada vez mais um elemento da própria sociabilidade" (Achutti, 1997:38-39) Neste trabalho, entendemos a fotografia ou fotoetnografia como elemento necessário à London Journal of Research in Humanities and Social Sciences composição do Relatório Antropológico. Neste sentido:

Uma antropologia em imagens poderá ser feita mediante o domínio das técnicas de construção de um vídeo etnográfico, de um filme etnográfico ou de um trabalho fotoetnográfico. Futuramente estaremos fazendo a "velha" e tradicional antropologia também através de uma linguagem multimídia". (Rodolfo et alli, 1995:224).

3. Em termos metodológicos:

"A proposta aqui é do emprego da antropologia visual enquanto um recurso narrativo autônomo na função de convergir significações e informações a respeito de uma dada situação social". (Achutti, 1997:13) Enfim, utilizamos principalmente do bom senso para iniciarmos nosso trabalho de campo na comunidade quilombola de Santana. Diferente de momentos anteriores (os trabalhos de campo nas comunidades quilombolas de Massapê e Buenos Aires, em Carnaubeira da Penha e Custódia, respectivamente), foi realizada a plotagem da área logo nos primeiros contatos. Essa medição realizada por um técnico da área de engenharia ambiental já incluiu os pontos geo-referenciados referentes às obras do canal da transposição do rio São Francisco situado dentro do território de Santana.

Para realizar um trabalho de pesquisa antropológica dentro dos referenciais da Instrução Normativa Nº. 49 (IN 49) a opção foi pela constituição de uma equipe multidisciplinar. Compomos esta com um antropólogo, uma pedagoga e uma historiadora em período integral; e, oportunamente, tivemos a colaboração de profissionais das áreas de geografia, agronomia, engenharia ambiental, engenharia florestal e arqueologia, entre outros. Conversas profícuas com profissionais da biologia, do direito, da educação ambiental também fizeram parte do cotidiano da pesquisa. A comunidade apresenta um nível de vida social e econômico elevado em relação com outras comunidades rurais e/ou quilombolas. As casas são, em sua grande maioria em alvenaria, com quintais produtivos, a produtividade das roças é constante (usa-se a irrigação), o nível de escolaridade que não é baixo (mais de 20 jovens com graduação e dois pós-graduados) e, o meio ambiente que se mantém preservado. Por outro lado, o que aparece também, é a presença de muito lixo doméstico e animais criados soltos o que contribui para a proliferação de doenças.

Em termos de saúde pública, segundo o depoimento da agente de saúde e de moradores mais idosos, existem três situações facilmente percebíveis: a verminose em quase 100% das crianças, o alcoolismo entre jovens e adolescentes e a hipertensão arterial entre idosos. A comunidade tem diagnosticado quatro casos de anemia falciforme e seis casos de deficiência mental. Esta condição torna necessário um trabalho de atenção à saúde em Santana a partir de uma especificidade local clínica e étnica. Dos equipamentos sociais coletivos, existem somente dois, as escolas dos sítios Santana (está completamente abandonada) e Recanto (em utilização mesmo que em péssimas condições) estão necessitando de sérios reparos na estrutura. A ausência de posto de saúde local contribui para ampliar a sensação de abandono pelo Estado. Em relação à habitação, de um total de 66 casas, 59 eram de alvenaria e 07 eram de taipa.

4. Da economia na Comunidade de Santana

A economia do território de Santana está sustentada, em grande parte, nas atividades agropecuárias estruturadas na prática compreendida como "agricultura familiar". Em termos específicos, planta-se feijão, milho, cebola, em maior parte, em áreas de baixios (locais com facilidade de acúmulo de águas). Também, se criam bovinos (em menor quantidade), caprinos, ovinos, suínos (em campo aberto) e aves (galinhas em particular). Reproduzo abaixo um diálogo durante uma entrevista com mulheres lideranças: A religiosidade no território de Santana é predominantemente cristã. Sobretudo católicos e evangélicos 2 (em minoria). Não é registrada nenhuma outra expressão religiosa. A comunidade nega, formalmente, a existência de outras expressões religiosas.

Entretanto, conversas informais falam de existência de uma encruzilhada na comunidade onde era comum a presença de despachos 3 . Entretanto, não se fala A Mazuca é um ritmo que mistura influências indígenas e africanas, numa mescla de pandeiro, ganzá e batida de pés. A Mazurca nasceu do encontro de escravos que fugiam para "o meio do mato" e lá encontravam os índios. Juntos, eles reproduziam as festas de Mazurca, dança popular polonesa que animava as casas-grandes dos engenhos vistas e ouvidas de longe pelos negros da senzala. sobre quem fazia tais atividades. Por outro lado, uma parcela da juventude local (em especial, os militantes) manifesta uma demanda por maiores informações sobre religiosidade de matriz africana.

Entendemos que o patrimônio cultural da comunidade de remanescentes de quilombos de Santana é constituinte de sua história contada e vivida. Esse patrimônio cultural que deve ser visto como mola propulsora de transformações locais. Assim: "Pensar em cultura neste sentido significa pensar a realização de ações que contemplem todas as expressões culturais existentes na área de atuação dos Poderes Públicos. E, não somente, as expressões que consideramos pertinentes ou de acordo com os nossos valores -que geralmente são valores de classe média. Um programa de políticas culturais não devem ser apenas o apoio a artistas ou artesãos. Vai bem mais além disso. Como

5. Historicidade do território quilombola de Santana

De modo geral, as comunidades de quilombolas, a despeito de suas especificidades históricas e culturais, tendem a expressar demandas comuns ao conjunto das comunidades rurais, decorrentes das pressões sociais típicas dos conflitos pela posse da terra. Desta forma: "Os processos iniciais de territorialização das comunidades quilombolas do sertão de Pernambuco se relacionam fortemente com o contexto sociopolítico do período em que iniciou a formação de cada uma delas. O que se conta hoje nessas comunidades sobre as motivações que levaram à territorialização, os locais de procedência de seus primeiros habitantes e as identidades étnicas dos grupos envolvidos (aspectos estruturantes na construção da territorialidade), revela-nos uma forte influência das mudanças políticas e econômicas do final do século XIX. A República, a proibição do trabalho escravo e a "transição capitalista" no Sertão foram alguns dos fatos ocorridos nesse período que refletiram nas estratégias e no modo de resistência dos grupos que atualmente se identificam quilombolas". ( Durante todo o século XX, essas famílias foram estabelecendo relações sociais, econômicas e de casamento entre si, vivendo da agricultura e superando os períodos de seca, especialmente a de 1932 quando a memória dos mais velhos recorda os tempos de comer xique-xique, pão de mucunã lavado em sete águas, farinha feira da cuca de umbu, xerém, pipoca, mungunzá doce e branco, piro feito com a cuca do umbuzeiro, beiju de parreira..." O texto de Maria Aparecida da Silva, na sua monografia sobre comunidades quilombolas de Salgueiro e a relação desta com educação é também uma pista, quando cita: Esta comunidade, porta atualmente cerca de 63 famílias e uma população de 278 pessoas e passa por processos de reconhecimento de comunidade quilombola. Apresenta além de relatos e características físicas, uma população remanescente de escravos que desde o início da sua fundação, tem como origem, os relatos de um dos primeiros habitantes, Luciano (ainda de sobrenome ignorado), mas de etnia negra. O mesmo ressalta que; veio "fugido" da localidade de Paisagem de Pedra (distrito de Terra Nova a aproximadamente 4 km). A tradição oral é enfática, como homem forte e resistente, que demonstrava nos seus atos, exemplos de homem corajoso e sonhador de um mundo melhor. (Silva, 2006:11).

Estas citações resumem a historicidade da comunidade quilombola de Santana. Entretanto, vamos preencher esta história com relatos que atestem o que foi colocado. A opção pela oralidade como recurso de construção da história da comunidade é resultado de Ao que tudo indica a história da cachorra é mais um recurso de retórica do que uma realidade. Talvez seja pra encobrir uma verdadeira história de escravos fugidos.

6. Os negros-galegos

Na comunidade de Santana existem duas pessoas são que albinas. São, originalmente, quatro irmãos de um total de dez que nasceram albinos. Enfim, patrimônio cultural é qualquer coisa que atesta a história de uma determinada sociedade, ou seja, tudo que se refere à identidade, à ação, à memória de uma sociedade. A seriedade do tema é para as comunidades tradicionais, incluindo aí os quilombolas, um imperativo no seu processo de empoderamento. Pois:

"Se não há preservação, ocorre a perda da identidade cultural o que significa o fim de um povo. A força, a criatividade, o orgulho e a consciência de uma sociedade mantém viva sua London Journal of Research in Humanities and Social Sciences cultura, sua identidade, aquilo que a faz ser exatamente o que ela é. ? O 'como preservar' está intimamente ligado à educação... Nesse processo educativo estão a pesquisa e a criação de espaços culturais (museus, arquivos, bibliotecas, lugares da memória...). Por meio deles a comunidade torna-se 'dona' do seu patrimônio cultural e passa a ter contato direto com a sua cultura e com a memória coletiva." (Ataídes, Machado e Souza. Goiânia: EdUCG, 1977:11-13).

Os bens naturais de Santana incluem uma diversidade de flora, fauna e recursos naturais, como serras, riachos e sítios arqueológicos. Em particular, a presença de animais silvestre como seriemas e papagaios são presença comum no território de Santana.

A presença de oratórios centenários é comum nas casas de alguns moradores, geralmente, nas casas onde ocorriam as novenas. A existência de cruzeiros em algumas áreas serve para demonstrar a afeição pelos mortos e reafirmar a religiosidade católica na comunidade.

Foto 24: Oratório Uma riqueza cultural e expressa materialmente está relacionada à arquitetura rural do sertão. As casas de taipa, ou de alvenaria com seu mobiliário específico: pilões, potes, fogão de lenha etc. mostram que o passado, muitas vezes, continua vivo na forma de utilização de equipamentos domésticos e de trabalho.

London Journal of Research in Humanities and Social Sciences Na prática, temos em Santana, um acervo museológico a céu aberto e abandonado (em alguns casos). Apesar do esforço pela recuperação da história local as provas materiais desta história estão sendo ignoradas pela supervalorização do moderno.

A comunidade sabe de suas áreas e o sentido da utilização destas. Então, grosso modo, as terras de Santana têm utilização diversa: moradia, criatório solto, roças cercadas, área de almas (sem utilização laboral), os umbuzeiros que são conhecidos por nome e as áreas de baixio que servem à agricultura irrigada.

7. Identidade quilombola: os Negros da Santana

Pertencer a Santana também é balizado pelo fato de ter nascido na comunidade e pertencer a uma das famílias geradoras. As referências são sempre pelo fato de se ter nascido em Santana e todos, na contemporaneidade, serem parentes pelo resultado das uniões interétnicas. O termo que identifica os moradores locais, não é somente negro, mas negro da Santana.

Segundo Alfredo Wagner de Almeida (2002:49) ao comentar sobre as relações intra e extra território é pertinente sua afirmação: "No entanto, ao contrário do que imaginaram os defensores do "isolamento" como fator de garantia do território foram as transações comerciais da produção agrícola e extrativa dos quilombos que ajudaram a consolidar suas fronteiras físicas. Assim como se enganaram aqueles que viam no quilombo uma unidade racial homogênea, pois foram as suas inter-relações com outros grupos que possibilitaram sua reprodução social e econômica". (Almeida, 2002:49).

Desta forma podemos entender que a evasão oportuna e os processos de reagrupamento de pessoas de comunidades quilombolas em outras áreas, rurais ou urbanas, fazem parte de uma dinâmica geopolítica. Isto, entretanto, não altera a adjetivação de uma comunidade ou mesmo de seus moradores (estando eles morando lá ou não).

No caso dos moradores de Santana, a possibilidade de arranjar trabalho em outras áreas pode levá-los até Salgueiro ou São Paulo, dentre outros destinos. Evidentemente, em muitos casos essa evasão temporária não traz retorno satisfatório. A dinâmica da comunidade em relação ao trabalho na terra exige uma rotina de atividades que se estende por todo um ano. Este ciclo está relacionado ao período de chuvas e de estiagem.

Uma visão sobre essa dinâmica laboral local é colocada pelo professor Pedro. Ele é um dos jovens da comunidade que é um exemplo do resultado do investimento e educação. É graduado em pedagogia, mestre e doutorando na Universidade de Brasília. Sobre sua comunidade ele coloca uma visão extremamente lúcida desse processo. Sua fala traduz uma lógica local de apropriação sustentável dos recursos ambientais do Território de Santana. Ele cita e nos incita a uma reflexão quando falou.

8. IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O uso da terra em Santana está limitado a pequenas partes do território dos quilombolas. As áreas reservadas à agricultura, à pastagem e à exploração de madeira estão definidas pelas atividades laborais tradicionais. O Riacho Grande mantém a água necessária à comunidade para a agricultura irrigada em suas margens. Quando seca os agricultores cavam poços no leito e aí obtém água para dar continuidade às roças.

De maneira ampla podemos colocar que os moradores de Santana têm uma relação mais estável com o meio ambiente. Como já citado existem áreas específicas para atividades: pasto, plantio, retirada de madeira para fogão.

O desafio que se apresenta é pelo fato de que as obras do canal da transposição ainda não reconheceram as estradas de, de uso tradicional, de acesso às áreas do outro lado do canal. Tradicionalmente, os moradores e os animais têm definidos seus caminhos para estas atividades.

Existe o caminho onde passam as pessoas para a colheita do umbu, existe o caminho por onde as cabras transitam para as áreas de pasto, que é diferente do caminho usado pelas vacas. Essa lógica vai ser reprocessada em função das obras. Oportunamente, pode ser interessante para a comunidade pensar a área "do outro lado do canal" como área para criatório de animais. Uma área que pode ser manejada para cultivo de gado.

Em Santana podemos observar, ainda, em função do acesso à terra e à possibilidade de gerar e/ou contratar mão-de-obra local, no que diz respeito às relações socioeconômico-culturais de caráter interétnico, que estas diferenças étnicas são mantidas e perpetuadas a partir da identidade dos quilombolas vinculados à terra. No caso, o adjetivo Negros de Santana expõem esta condicionante de pertencimento a um território etnicamente definido.

Santana é um território onde se percebem as áreas de trabalho, geralmente dedicadas à agricultura irrigada, e as áreas preservadas. Na prática, a comunidade opera com certa racionalidade o manejo da caatinga para o pastoreio de caprino e bovinos; também como para a retirada de lenha para consumo doméstico, na construção de cercas e para uso nos fogões à lenha.

A história de Santana está diretamente relacionada a uma tríade comum a todas as comunidades quilombolas: terra, identidade e memória. A terra é vista como o elemento definidor dessa identidade quilombola. A memória é um elemento constituinte no sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si.

De forma geral, podemos entender a relação da tríade: terra, identidade e memória na comunidade de remanescente de quilombos de Santana como definidora de sua condição adjetiva de comunidade quilombola.

V

9. VI. RESULTADOS

Não foi instalado o telefone comunitário, não foi realizado o saneamento, não houve projeto de ovino-caprinocultura, não foi implantado o quiosque cidadão (fora doados computadores, mas, não foi viabilizado o acesso à internet). Uma visão comparativa do antes e depois do projeto de transposição do rio São Francisco, foi colocada por (BRASIL, 2011) "Antes das obras chegarem, os quilombolas manejavam a sua agrobiodiversidade, segundo lógica própria, historicamente construída, com elementos da cultura tradicional e do contato com técnicas e conhecimentos transmitidos por outras comunidades da região.(pp.113-114).

O canal isolou o acesso da criação ao resto da Caatinga, inviabilizando que os animais pastem livremente e provocando um dilema na vida dos criadores que têm o riacho Salgueiro e os açudes, do lado habitado da comunidade, como fonte de água para a criação.... Os bodes teriam de ser criados em confinamento de agora em diante. Sem terras e sem água para plantar nem o que comer, essa não pode ser classificada, no momento, como uma alternativa viável.(pp.127)" O que foi colocado acima demonstra o explícito descompromisso do Estado com as comunidades tradicionais (aqui um exemplo cabal com uma comunidade quilombola). Aliado a esse quadro, ressalto o assédio moral enquanto antropólogo, no ambiente de trabalho (caracterizado pela minimização do tempo dedicado ao trabalho de campo e a redação do relatório Antropológico: 30 dias!!!), me levou ao desencanto com o projeto sob o ponto de vista da possibilidade de transformação social. Em fevereiro de 2011, pedi desligamento do Projeto de Transposição do rio São Francisco. O ganho maior foi a experiência e as grandes amizades que fiz nas comunidades quilombolas. Muito Obrigado Comunidade Quilombola de Santana!

Figure 1.
Figure 2. Foto 1 :
1
Figure 3.
Figure 4. Foto 3 :Foto 4 : 7 ©
347
Figure 5. Figura 2 :
2
Figure 6. Figura 3 :
3
Figure 7. Foto 16 :
16
Figure 8. 3 Oferenda religiosa 2 No
32
Figure 9. 1
1
Figure 10.
Figure 11. Foto 19 :
19
Figure 12.
Figure 13.
Figure 14.
Figure 15.
Figure 16.
Figure 17.
Figure 18.
Figure 19.
Figure 20.
Figure 21.
Geraldo: vivia mesmo de umas coisinhas que criava e
_O que vocês plantam aqui? comendo coisa do mato, macambira,
xique-xique, mucanã, parreira, mandioca. Na
Aparecida: época de 30, essa época eu alcancei sou de 24,
_Feijão, milho, arroz, cebola, planta tudo, cortei muito xique-xique pra comer. Pegava a
coentro... abóbora, tomate, isso pra vender e pra mucunã no mato pisava pra fazer cuscuz; e
consumo, assim tudo é pra consumo o que sobra depois veio a cebola e o algodão e todo
a gente vende... mundo se criou e foi passar bem. O algodão
era bom demais não sei por que Salgueiro
Geraldo: acabou com os compradores de algodão. Não
_Que animais você cria aqui? existe mais..."
Vilanir: Foto 7: Bovinos Foto 8: Caprinos
_Na região é bode, porco, vaca, galinha... de
tudo um pouquinho... apicultura, mas é mais pra
dá trabalho, leite é só quando a gente tem uma
vaca com bezerro... Geraldo: _E o que mais de fonte de renda? Senilda: _Tem dois aposentados morando aqui... Este diálogo mostra a importância do território e da agricultura e da pecuária para a dinâmica populacional local. Vale ressaltar o investimento das famílias na educação dos filhos jovens. O resultado é o número de jovens com cursos técnicos (ensino médio) e superior (graduados e pós-graduados: especialistas, mestres e doutorandos). A ocupação dessa nova geração em espaços de trabalho fora do território é bastante expressiva. São vários exemplos de jovens que -através de concursos-atuam em bancos, secretarias municipais e no ensino superior. Como diz em Salgueiro: _Os negros de Santana são muito inteligentes e, facilmente, ocupam lugares de destaque em trabalhos técnicos especializados e acadêmicos! Além dos aspectos relacionados à economia local, outro fator importante na caracterização da comunidade de Santana é o seu patrimônio Na atualidade, o grupo que está à frente da direção da associação de Santana, enquanto entidade quilombola vem realizando um resgate das tradições culturais e incentivando a tradição das rezadeiras. Particularmente, as lideranças Maria Aparecida de Souza, Senilda Francisca da Silva e Maria Vianei dos santos. Elas estão colocando a discussão sobre identidade, religiosidade afro-brasileira, racismo e outros assuntos como pauta do dia em suas discussões locais e, também, fora da comunidade. No território de Santana existem 04 rezadeiras oficiais na comunidade e duas aprendizes. Existe também 01 rezador neste grupo. Sobre este cultural. Do que tratamos a seguir. Por assunto, as professoras Aparecida e Senilda, London Journal of Research in Humanities and Social Sciences
patrimônio Cultural se entende aspectos responsáveis pelo resgate cultural disseram:
Outro depoimento nos fala de um passado de
prosperidade em função da cultura do algodão. De históricos e ecológicos de uma sociedade. Assim, "_Então temos como referência na
acordo com o depoimento de Cição: este é constituído de bens culturais que são: comunidade e em áreas vizinhas Tia Júlia,
Cleide, Padim Zé João, a Veia Ana e Maria.
"_Plantar cebola da era de 50 pra cá, Aqui tem rezadeira e rezadeiros que rezam
plantava cebola aguada no galão, pegava em crianças e adultos, dos mais variados
duas latas e botava nas costas, aí depois veio modos, espinhela caída, vento caído, mal
o plantio de algodão. Entre a década de 40 e olhado, quebrante, osso embutido, olho
50, e lá pra trás é o seguinte: o pessoal só gordo, peito aberto, capainha caída e tosse,
Note:

Foto 9: GalinhasFoto 10: Suínos Um elemento de peso na economia da comunidade é a participação da mulher através do controle financeiro do Programa Bolsa Família. Este programa tem sido citado como responsável pelo empoderamento da mulher. Em algumas famílias a única renda existente é do Bolsa-família que fica sob a administração da mulher (em especial, quando em períodos de seca o marido vai trabalhar fora)."... a produção humana nos seus aspectos emocional, intelectual e material e todas as coisas que existem na natureza. Tudo que permite ao homem conhecer a si mesmo e ao mundo que o rodeia pode ser chamado de bem cultural."(Ataídes et alli: 1997:11-12).A concepção atual de patrimônio cultural implica em uma divisão deste em quatro categorias. Assim:"Há os bens naturais, que são os elementos pertencentes à natureza: animais, vegetais e minerais. São recursos naturais os rios, os vales, as montanhas etc. os bens de ordem material são as criações dos homens visando aumentar seu bem-estar social, familiar, sua vida, e adaptar-se ao meio em que vivem. São bens materiais as coisas, os objetos, as construções etc., realizadas pelo homem. Os bens de ordem intelectual são os "saberes" do homem. O conhecimento ou o saber que o homem utiliza na construção de um objeto é um exemplo de bem de ordem intelectual. Os bens de ordem emocional representam o sentimento individual ou coletivo -são as manifestações folclóricas, cívicas, religiosas e artísticas, eruditas e populares que se expressam por intermédio da música, da literatura, da dança etc."(Ataídes et alli: 1997:11-12).London Journal of Research in Humanities and Social SciencesEnfim, patrimônio cultural é qualquer coisa que atesta a história de uma determinada sociedade, ou seja, tudo que se refere à identidade, à ação, à memória de uma sociedade.Em Santana podemos citar como bens naturais, a caatinga que é expressiva como paisagem local, o riacho Grande, O serrote dos Pedros, o solo com características diversas: ora pedregoso, em sua maioria, ora com a presença forte de áreas de baixio propícias para o plantio de árvores frutíferas.Foto 11: Serrote dos PedrosOs bens de ordem material de Santana configuram-se como uma lembrança pretérita e ainda em uso, em muitos casos: os artefatos religiosos, os artefatos utilitários de madeira, de barro, de ferro, a escola precisando de reformas estruturais e algumas casas, com uma arquitetura típica do sertão, abandonadas ao longo das terras da comunidade. Foto 12: Baú em madeira Foto 13: rádio (funcionando) tem Fátima que reza de campainha, e outros mal-estar que as pessoas não sabe explicar. Tem Tia Júlia que ta passando a Cleide e a Maria. Tia Júlia é muito renomada como rezadeira." London Journal of Research in Humanities and Social Sciences 13 © 2023 London Journals Press Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

Figure 22.
literária que paira sobre as questões das Sobre a importância que a história oral representa sacros e profanos, todos eles elementos
populações afro-brasileiras, em toda a extensão na elaboração de relatórios antropológicos, vale a simbólicos mantenedores e perpetuadores dos
do território nacional. Este quadro se repete, citação de Magalhães, que afirmou: vínculos e das matrizes geradoras desta
quase invariavelmente, no caso das comunidades comunidade. (ROCHA, In: RICO 1999:216)
negras rurais ou comunidades remanescentes de "Datas, nomes e fórmulas não são o principal
quilombos. Em Pernambuco, apesar de uma esteio dessa rememoração, dessa
tradição literária na antropologia das populações reconstrução, porque as referências que
afro-brasileiras, ainda é carente a produção sobre constituem o indivíduo como agente social
quilombolas. representam correntes de pensamento,
experiências e sentimento, que atravessam
A memória local é a memória dos mais velhos. Esses contam insistentemente sobre fronteiras, antepassados e, principalmente, de como se vivia antigamente. A memória de um grupo social se expressa por meio de seus rituais da ordem e da desordem, presente e passado. (Magalhães In, MONTENEGRO, e,
FERNANDES, 2001: 81)".
esta é inacessível; configura-se como a
construção de uma determinada vivência a
partir da memória. Durante o processo de
rememoração o depoente estabelece relações
entre suas próprias experiências que o permite
reconstruir seu passado segundo uma
determinada estrutura, consciente ou não.
"A narrativa gravada em uma entrevista não
constitui-se na memória propriamente, pois
Note:

. Foto 17: Fernando. Ancestralidade de Santana Assim, vamos expor as palavras dos mais velhos, como expressão da história local, favorecendo o reconhecimento da oralidade como recurso de dar vida à memória histórica de grupos sociais. No caso dos quilombolas que se caracteriza pela ausência de dados literários isto agrega maior importância. Segundo, Montenegro e Fernandes, (2001:92): [...]. Desta forma, o relato se estrutura a partir da memória, não se constituindo, no entanto, o seu conteúdo." Aí ele fugiu prai. Como ele era um rapaz novo e solteiro, foi e casou." Foto 18: Vilanir. Ancestralidade de Santana

Figure 23.
Ele vivia mais assim conversando com o
pessoal, e eu lembro que minha avó
reclamava muito porque ele não parava em
casa, e ia pra Salgueiro também na
prefeitura buscar as coisas, essa barragem,
pra aquela época eu acho que meu avô era
muito instruído em buscar o melhor pras
pessoas, ele não tinha recursos financeiros
nenhum, mas tinha uma neta dele que o pai
dela faleceu, irmão de pai, ficou doido, ele
faleceu e ele pegou a menina e registrou como
filha, botou ela pra estudar mesmo sem
condições financeiras, colocou ela pra
estudar em Salgueiro, arrumou uma casa
família pra ela, mas tinha que dá alguma
coisa, mas ele dizia assim: que ia colocar ela
pra estudar mas não era pra ela ir embora,
ela ia estudar pra vim ser professora aqui na
comunidade, ele sempre teve isso de buscar o
pessoal pra ensinar, incentivou tia Cosma,
Note:

Foto 21: Profa. Aparecida Foto 22: João Mariano London Journal of Research in Humanities and Social Sciences Foto 23: Escola João Mariano Ela, em relação ao seu avô falou: "_Ele era João Mariano dos Santos, foi uma pessoa que eu me espelhei bastante apesar de que quando ele faleceu eu só tinha oito anos de idade, mas ele era uma pessoa que eu conseguia observar a preocupação que ele tinha com as pessoas, e até mesmo com o meio ambiente, cuidava do riacho, plantava fruteira, eu ouvia dizer assim: eu sei que não vou ver essa mangueira colocar fruto mas fica aí pra vocês. incentivou tia Preta, só que ela antes de terminar o magistério ela conheceu um rapaz, casou e foi embora pra Cabrobó, foi ser professora mais lá, hoje ela mora em Petrolina, quando ele tava perto de morrer ele disse que não tinha realizado o sonho dele porque não tinha uma pessoa dele, uma neta, sendo professora, ele não conseguiu me ver sendo professora aqui, quem pode falar mais dele são essas pessoas mais velhas, como era ele,o que ele fazia pelo povo, eu tinha apenas oito anos mais eu via isso, a preocupação dele com a educação e com o desenvolvimento as pessoas, não pra enricar, mas pra ter o sustento e pelo menos não passar fome, como ele dizia que já tinha passado fome, comido mancabira, minha filha hoje vocês estão em um tempo bom, a gente comia mucunã passada a sete águas, hoje os meninos usam mucunã pra brincar... Ele é uma pessoa que não passou, ele ficou na história... Quando fizeram esse prédio da escola conversaram comigo pra pedir sugestão e eu coloquei o nome dele, mas eu perguntei as pessoas se podia botar o nome dele, e todo mundo aceitou, pena que o homenageado não está mais entre a gente, mas com certeza os familiares se sente orgulhoso..."

Figure 24.
No caso de Santana, o Projeto São Francisco,
através de parcerias com outros órgãos das esferas
federal, estadual e municipal, elencou como
prioridade, de caráter estrutural, as seguintes
ações (demandas em 2009):
? Instalação de Telefone comunitário;
? Substituição de 07 casas de taipa por
alvenaria;
? Construção de 49 banheiros em casas de
alvenaria;
? Abastecimento e tratamento d'água.
Atualmente, este sistema está operando em
quase 100% das casas;
? Saneamento básico e tratamento dos resíduos
sólidos;
? Oficina "Saberes e Fazeres";
? Implantação de produção de
ovino-caprinocultura;
? Implantação do quiosque cidadão
(computadores); e
? Regularização fundiária.
6
8
14
16
20
26

Appendix A

Appendix A.1

Report of Historical, Economic, Environmental and Socio-Cultural Characterization elaborated in 2009 as an activity of the Basic Quilombola Environmental Program of the Transposition Project of the São Francisco River. The purpose of the report was to define the territory of the Community of Remnants of Quilombo de Santana, located in the municipality of Salgueiro -PE. The quilombola territory of Santana, in Salgueiro-PE, far from the headquarters of the municipality 22 kilometers is made up of 05 interlinked sites. Namely, they are: Santana, Jurema, Pottery, Recanto e Livramento. Approximately 66 families live in the territory. The present limits of the territory include the lands located between Umãs, Sites New, Boqueirão, Pau Ferro and Várzea do Ramo.

Appendix B

  1. , Dissertação de Mestrado. Centro de Desenvolvimento Sustentável. Universidade London Journal of Research in Humanities and Social Sciences
  2. , London Journal of Research in Humanities and Social Sciences
  3. Cultura e meio ambiente. Publicação eletrônica. www.kriterion.zlg.br/pg83, ____ . 06/03/2009.
  4. A experiência do núcleo de antropologia visual -UFRGS. Adriane ; Rodolfo , Cornelia ; Eckert , Godolphim , ; Nuno , Rosa , Rogério . Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano jul./set. 1995. 1 (2) p. .
  5. Eliane Cantarino O'Dwyer ( Org.). Alfredo Almeida , Wagner Berno , De . Quilombos -Identidade étnica e territorialidade, 2002. (Rio de Janeiro: Editora FGV e ABA)
  6. História oral: um espaço plural, Antônio ; Montenegro , Tania Fernandes . 2001. Recife: Universitária; UFPE. (orgs.)
  7. Sertão quilombola: a formação dos quilombos no sertão pernambucano, Cecqpe Centro Cclf , Luiz Cultural , Freire . 2008. Olinda.
  8. O mar virou sertão: a transposição do rio São Francisco e a comunidade quilombola de Santana, Daniel Brasil , Rodrigues .
  9. , Edufsc Florianópolis . 1994.
  10. A cultura e a educação nas comunidades quilombolas do município de Salgueiro. Monografia de especialização, Eliane Silva , ; Dionízio , Maria Souza , Aparecida De; E , Janice Rodrigues , Bezerra . 2006. Salgueiro, PE: FACHUSC.
  11. Gestão Social uma questão em debate, Elizabeth Rico , Raquel De Melo E Degenszajn , Raichelis . 1999. São Paulo: EDUC; ISS.
  12. , Geraldo Oliveira Júnior , Barboza . 2009. Relatório Antropológico da Comunidade Remanescente de Quilombo de Santana -Salgueiro -PE. achMinistério da Integração
  13. Os quilombos no Brasil: questões conceituais e normativas, Ilka Leite , Boaventura . 2000. Florianópolis, UFSC/NUER.
  14. Relatório antropológico de reconhecimento e delimitação do território da comunidade remanescente de quilombo Contendas, Jonhhy R Cantarelli , Rocha . 2008. Petrolina, PE: INCRA.
  15. Cuidando do patrimônio cultural, Jézus Ataídes , Marco , Laís Machado , Aparecida , Souza . 1997. Marcos André Torres de; Goiânia: UCG.
  16. um estudo de antropologia visual sobre cotidiano, lixo e trabalho. L Achutti , Fotoetnografia . Porto Alegre: Tomo Editorial 1997. Palmarinca.
  17. , Marina Marconi , De Andrade E Presotto . Zélia Maria Neves. Antropologia: uma introdução 1989. São Paulo; Atlas.
  18. A perícia antropológica em processos judiciais, Orlando Silva , ; Sampaio , Luz , ; Lídia , Helm , Maria Cecília , Vieira .
  19. Negros do Gilu" em Itacuruba: emergência etnoquilombola e teritorialidade, Tercina Bezerra , Lustosa Maria , O Barros , Quilombo . 2006. Recife, UFPE. (Dissertação de Mestrado)
Notes
6.

Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 © 2023 London Journals Press Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

8.

Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 © 2023 London Journals Press Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

14.

Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 © 2023 London Journals Press Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

16.

Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 © 2023 London Journals Press Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

20.

Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 © 2023 London Journals Press Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

26.

Volume 23 | Issue 2 | Compilation 1.0 © 2023 London Journals Press Historical, Economic, Environmental and Sociocultural Characterization of the Remnant Community of Quilombo de Santana, Salgueiro -Pernambuco Brazil

Date: 1970-01-01